Os males da liberdade se corrigem com mais liberdade!

I should have loved freedom, I believe, at all times, but in the time in which we live I am ready to worship it.
- Democracy in America - Volume 2, Alexis de Tocqueville - Sever and Francis, 1864

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Editorial do Estadão de 09/09/2010

Lula e a contínua desmoralização das instituições:

"Tão profícua tem sido a atuação do presidente Lula na desmoralização das mais importantes instituições do Estado brasileiro, que se torna missão complexa avaliar o que efetivamente tem sido realizado nesse campo, aí sim como nunca antes neste país. Como a lista é longa, melhor ficar nos exemplos mais notórios.

O presidente Lula desmoralizou o Congresso Nacional ao permitir que o então chefe de seu Gabinete Civil, o trêfego José Dirceu, urdisse e implantasse um amplo esquema de compra de apoio parlamentar - o malfadado mensalão. Essa bandidagem custou ao chefe da gangue o cargo de ministro. Mas seu trânsito e influência dentro do governo permanecem enormes, com a indispensável anuência tácita do chefão.

Denunciado o plano de compra direta de apoio de deputados e senadores, o governo petista passou a se compor com toda e qualquer liderança disposta a trocar apoio por benesses governamentais, não importando o quanto de incoerência essas novas alianças pudessem significar diante do que propunha, no passado, a aguerrida ação oposicionista de Lula e de seu partido na defesa intransigente dos mais elevados valores éticos na política. Daí estarem hoje solidamente alinhadas com o governo as mais tradicionais oligarquias dos rincões mais atrasados do País - os Sarneys, os Calheiros, os Barbalhos, os Collors de Mello, todos antes vigorosamente apontados pelo lulo-petismo como responsáveis, no mínimo, pela miséria social em seus domínios. Essa mudança foi recentemente explicada por Dilma Rousseff como resultado do “amadurecimento” político do PT.

O presidente Lula desmoralizou a instituição sindical ao estimular o peleguismo nas entidades representativas dos trabalhadores e, de modo especial, nas centrais sindicais, transformadas em correia de transmissão dos interesses políticos de Brasília.

O presidente Lula tentou desmoralizar os tribunais de contas ao acusá-los, reiteradas vezes, de serem entrave à ação executiva do governo por conta do “excesso de zelo” com que fiscalizam as obras públicas.

O presidente Lula desmoralizou os Correios, antes uma instituição reconhecida pela excelência dos serviços essenciais que presta, ao aparelhar partidariamente sua administração em troca, claro, de apoio político.

O presidente Lula desmoralizou o Tribunal Superior Eleitoral, e, por extensão, toda a instituição judiciária, ao ridicularizar em público, para uma plateia de trabalhadores, multas que lhe foram aplicadas por causa de sua debochada desobediência à legislação eleitoral.

Mas é preciso reconhecer que pelo menos uma lei Lula reabilitou, pois andava relegada ao olvido: a lei de Gerson. Aquela que, no auge do regime militar e do “milagre brasileiro”, recomendava: o importante é levar vantagem em tudo. Esse sentimento que o presidente nem tenta mais disfarçar - tudo está bem se me convém - só faz aumentar com o incremento de seus índices de popularidade e sinaliza, por um lado, a tentação do autoritarismo populista, enquanto, por outro lado, estimula a erosão dos valores morais, éticos, indispensáveis à promoção humana e a qualquer projeto de desenvolvimento social.

O presidente vangloria-se do enorme apoio popular de que desfruta porque a economia vai bem. Indicadores econômicos positivos, desemprego menor, os brasileiros ganhando mais, Copa do Mundo, Olimpíada. É verdade, mesmo sem considerar que Lula e o PT não fizeram isso sozinhos, pois, embora não tenham a honestidade de reconhecê-lo, beneficiaram-se de condições construídas desde muito antes de 2002 e também de uma conjuntura internacional política e, principalmente, econômica, que de uma maneira ou de outra acabou sendo sempre favorável ao Brasil nos últimos anos.

Mas um país não se constrói apenas com indicadores econômicos positivos. São necessárias também instituições sólidas, consciência cívica, capacidade cidadã de avaliar criticamente o jogo político e as ações do poder público. Nada disso Sua Excelência demonstra desejar. Oferece, é verdade, pão e circo. Não é pouco. Mas é muito menos do que exige a dignidade humana, senhor presidente da República!"

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Dilma não sabe o significado da palavra “institucional”

"Tentando negar o óbvio — é uma candidata sob tutela, incapaz de dar as próprias respostas —, Dilma afirmou que Lula foi ontem ao ar para dar uma resposta “institucional” à oposição (ver post abaixo). A petista certamente desconhece o sentido da palavra. Eu poderia fazer aqui um ensaio sobre mentalidades e encontrar a raiz dessa ignorância em sua trajetória política. Afinal, escolheu métodos nada institucionais de atuar na vida pública — e se orgulha até hoje da opção que fez. Não há uma só pessoa afinada com os princípios da dignidade humana que possa achar que ações terroristas, que vitimam inocentes, acabam concorrendo para o bem. A oposição não levou tal questão, nem levaria, ao horário eleitoral. Há coisas que a marquetagem considera “baixaria”. Às vezes, a “baixaria” é nada menos do que a biografia do sujeito. Adiante. Dizia que Dilma não sabe o que quer dizer o adjetivo “institucional”.

A “instituição”, substantivo em nome do qual Lula DEVERIA FALAR, se chama “Presidência da República”, o cimo do Executivo, um dos Poderes da República (no caso do Brasil, uma tríade garante a unidade política) regulados pela Constituição, por leis complementares e códigos que organizam a vida em sociedade.

Embora o chefe do Executivo seja eleito pela maioria dos votantes, a sua função institucional é governar a todos sem distinção, mesmo àqueles que lhe recusaram seu voto. A República faz a devida distinção entre o chefe de um partido e o chefe de um governo. Assim, é descabido, inaceitável, absurdo, que um presidente da República, ainda que evocando a sua condição de simples militante partidário, se refira ao candidato da oposição como “aquele do contra”, que “torce o nariz para as conquistas do povo brasileiro” — , especialmente quando, como no caso do presidencialismo brasileiro, esse líder também é chefe de estado. Essa é a fala de um chicaneiro, não a de um chefe máximo de um Poder.

Ainda mais sério: um presidente da República jura cumprir a Constituição no curso de seu mandato. Os petistas de Lula agrediram essa Constituição. Em seu discurso, ele os protege e ataca as vítimas: ignora o crime e fala em “falsidades e mentiras”, como se tudo não passasse de uma grande farsa. É a isso que Dilma chama fala “institucional”? A observação só prova que, sozinha, ela é mesmo uma sem-jeito. Se eleita, a disputa de foice no escuro entre PMDB e PT vai ser pela tutela do governo e da presidente. E, nessa hipótese, torçamos para que Deus esteja conosco — porque todo o resto estaria contra nós.

Não! Dilma não sabe o que quer dizer a palavra “institucional”. Tio Rei explica para ela. Isso Lula não pode lhe “transferir”. Tampouco pode falar em lugar dela."

Esta foi a nota do Reinaldo Azevedo. Faço uma correção: Lula também não sabe o que quer dizer a palavra "institucional"; e a imensa maioria dos eleitores petistas!

Perguntas para Dilma


O Globo entrevistará nesta semana os principais candidatos à sucessão de Lula. Dilma fugiu da entrevista. Serra e Marina irão.

Pedi no twitter do blog perguntas que os leitores gostariam de fazer a Dilma. Selecionei algumas. Se a candida quiser respondê-las aqui, terá toda o espaço que precisar.

* O que a senhora faria se descobrisse que gente ligada ao PSDB quebrou o sigilo fiscal de sua filha?

* Como e onde contruiria as seis mil creches anunciadas se em oito anos de governo não construiu nenhuma?

* Como a senhora, se eleita, pretende se relacionar com o Irã, onde apedrejam mulheres e enforcam homossexuais? Será amiga, como é Lula?

* Lula disse que era "futrica" essa história de quebra de sigilo. A senhora concorda com ele?

* A senhora acredita em Deus? E que a Bíblia é a palavra de Deus?

* No que a senhora é melhor do que Serra? Por que eu deveria lhe dar meu voto?

* Para qual candidato a senhora acha que O Globo faz campanha?

* Qual a diferença entre rubrica e assinatura?

* O que acha do fato de Collor pedir votos para a senhora?

* Cadê o dinheiro do cofre do ex-governador Adhemar de Barros que a senhora, na época da ditadura, ajudou a roubar?

* Se José Dirceu e Antonio Palocci não tivessem saído do governo, a senhora acha que seria a candidata do PT à sucessão de Lula?

* A senhora acha que grandes jornais como O Globo, a Folha de S. Paulo e o Estado de São Paulo conservaram ou perderam sua credibilidade nos últimos anos?

Siga o Blog do Noblat no twitter

Um Lula fascistóide no horário eleitoral.Ou: Perder a eleição é do jogo; não dá é para perder a vergonha

Se alguém achava que Lula já havia atingido o limite da abjeção política nos palanques ao se referir ao tucano José Serra como “o bicho”, viu há pouco, no horário eleitoral, que ele, à sua maneira, sempre “pode mais”. O presidente da República chamou o tucano José Serra de “o candidato da turma do contra”, aquele que “torce o nariz para tudo”, acusando a oposição de “mentiras e calúnias”, de “cometer um crime contra o Brasil” e de preconceito “contra a mulher”.

Lula usa, assim, a sua popularidade para tentar satanizar o adversário de seu partido, apresentando-se, uma vez mais, como o protetor de Dilma, aquele que fala em defesa da “mulher”, que estaria sendo agredida. E quem não está com eles não tem “amor pelo Brasil”.

É uma fala fascistóide. Nas democracias, é a oposição que dá legitimidade a um governo. Embora as pesquisas indiquem que Dilma exerce uma liderança folgada, é Lula quem parte para o vale-tudo; é Lula quem deixa claro que pode recorrer a qualquer expediente para vencer.

Eu antevia que ele poderia chegar a isso — e pode fazer muito mais caso a eleição caminhe para um segundo turno. Por isso, no dia 4, escrevi um texto intitulado Chegou a hora de a campanha da oposição entrar no “modo da resistência institucional; é preciso chamar lula às falas. Destaco alguns trechos:

*
A gravidade das violações de sigilo na Receita Federal subiu estupidamente de patamar depois da fala de ontem de Lula, no Rio Grande do Sul. Ela pede uma reação enérgica da oposição - e não cabe nem mesmo o cálculo se uma resposta à altura dá ou tira votos. Estou convencido, sem prejuízo de o tucano José Serra continuar a apresentar suas propostas, de que a campanha da oposição entra no que eu chamaria “Modo de Resistência Institucional”. Ontem, Lula usou a sua popularidade para pedir carta branca à sociedade para fazer o que bem entende. É preciso dizer com todas as letras: ONTEM, LULA REIVINDICOU O DIREITO DE DAR UM GOLPE DE ESTADO, tendo, circunstancialmente, as urnas como arma.

Se alguma dúvida havia sobre o compromisso de Lula com a democracia, ela se desfez ontem. Não tem compromisso nenhum! Está evidenciado que ele a usa como arma tática e que a escalada petista supõe a desconstrução do estado de direito conforme nós o conhecemos.

(…)

Sim, agora é preciso entrar no MODO DE RESISTÊNCIA INSTITUCIONAL. E o próprio presidente Lula - pouco importa se sua popularidade atingiu 8795%, segundo a última medição Vox Diaboli - tem de ser chamado às falas.

(…)

O sr. Lula precisa saber que, na democracia, “a gente convence o eleitor a votar na gente” segundo regras - todas aquelas que o PT tem desrespeitado sistematicamente. Na democracia, a gente “vai para a rua” não para pisotear as leis, mas para pedir a sua efetiva aplicação. Método típico de uma ditadura é fraudar o sigilo fiscal e bancário de adversários. Método típico de uma ditadura é organizar bunkers de bandidos para produzir dossiês. Método típico de uma ditadura é querer criar constrangimentos morais para que as pessoas exerçam o direito, também ele constitucional, de recorrer à Justiça. Método típico de ditadura é considerar a violação da Constituição mera “futrica”.

(…)

Outro valor mais alto se alevanta. Se o custo de a oposição dizer o que tem de ser dito - QUE O PRESIDENTE LULA, NA PRÁTICA, PROTEGE CRIMINOSOS AO DAR DECLARAÇÕES COMO A DE ONTEM - for perder votos, que assim seja. Com quantos a democracia e o estado de direito, VIVIDOS NA PRÁTICA, podem contar? Pois que a causa siga com estes bons.

(…)

As lideranças do país que deploram a contínua violação da Constituição, das leis e do decoro têm apenas um caminho: voltar ao livro-texto da democracia e do estado de direito e repudiar, sem meias-palavras, o discurso irresponsável de Lula.

(…)

Hora de perceber a gravidade da questão e de ter uma reação correspondente - nem que seja, reitero, para mobilizar os poucos e bons. Assim me expresso apenas para encarecer o momento já que, de fato, são milhões os brasileiros que não estão dispostos a ceder a Lula e ao PT os seus direitos constitucionais. Fossem apenas os 300 de Esparta, então se deveria lutar com eles. Mas há muito mais gente do que isso pronta para resistir.

CHEGOU A HORA DE A CAMPANHA DA OPOSIÇÃO ENTRAR NO “MODO DA RESISTÊNCIA INSTITUCIONAL”. É PRECISO CHAMAR LULA ÀS FALAS. TALVEZ ISSO CUSTE AINDA MAIS VOTOS. PARA O VALOR QUE SE QUER E QUE SE TEM DE PRESERVAR, ELES NÃO FAZEM FALTA.

Perder a eleição é do jogo. Não dá é para perder a vergonha!"

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O PT da criatura

Nações irmãs: "

“O Irã é o país mais democrático e livre do Oriente Médio. Não há palavras para descrever a relação do povo iraniano com seu líder. No Irã, os jornais são livres para publicar matérias”.


Mohsen Shaterzadeh, embaixador do Irã no Brasil, revelando que achou perfeitamente aplicável ao próprio país o palavrório que vive ouvindo de Franklin Martins.

"

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Uma ótima nova!

Vamos errar de novo?

Artigo irretocável de Ferreira Gullar (grifos meus):

Vamos errar de novo?
FAZ MUITOS ANOS já que não pertenço a nenhum partido político, muito embora me preocupe todo o tempo com os problemas do país e, na medida do possível, procure contribuir para o entendimento do que ocorre. Em função disso, formulo opiniões sobre os políticos e os partidos, buscando sempre examinar os fatos com objetividade.
Minha história com o PT é indicativa desse esforço por ver as coisas objetivamente. Na época em que se discutia o nascimento desse novo partido, alguns companheiros do Partido Comunista opunham-se drasticamente à sua criação, enquanto eu argumentava a favor, por considerar positivo um novo partido de trabalhadores. Alegava eu que, se nós, comunas, não havíamos conseguido ganhar a adesão da classe operária, devíamos apoiar o novo partido que pretendia fazê-lo e, quem sabe, o conseguiria.
Lembro-me do entusiasmo de Mário Pedrosa por Lula, em quem via o renascer da luta proletária, paixão de sua juventude. Durante a campanha pela Frente Ampla, numa reunião no Teatro Casa Grande, pela primeira vez pude ver e ouvir Lula discursar.
Não gostei muito do tom raivoso do seu discurso e, especialmente, por ter acusado "essa gente de Ipanema" de dar força à ditadura militar, quando os organizadores daquela manifestação -como grande parte da intelectualidade que lutava contra o regime militar- ou moravam em Ipanema ou frequentavam sua praia e seus bares. Pouco depois, o torneiro mecânico do ABC passou a namorar uma jovem senhora da alta burguesia carioca.
Não foi isso, porém, que me fez mudar de opinião sobre o PT, mas o que veio depois: negar-se a assinar a Constituição de 1988, opor-se ferozmente a todos os governos que se seguiram ao fim da ditadura -o de Sarney, o de Collor, o de Itamar, o de FHC. Os poucos petistas que votaram pela eleição de Tancredo foram punidos. Erundina, por ter aceito o convite de Itamar para integrar seu ministério, foi expulsa.
Durante o governo FHC, a coisa se tornou ainda pior: Lula denunciou o Plano Real como uma mera jogada eleitoreira e orientou seu partido para votar contra todas as propostas que introduziam importantes mudanças na vida do país. Os petistas votaram contra a Lei de Responsabilidade Fiscal e, ao perderem no Congresso, entraram com uma ação no Supremo a fim de anulá-la. As privatizações foram satanizadas, inclusive a da Telefônica, graças à qual hoje todo cidadão brasileiro possui telefone. E tudo isso em nome de um esquerdismo vazio e ultrapassado, já que programa de governo o PT nunca teve.

Ao chegar à presidência da República, Lula adotou os programas contra os quais batalhara anos a fio. Não obstante, para espanto meu e de muita gente, conquistou enorme popularidade e, agora, ameaça eleger para governar o país uma senhora, até bem pouco desconhecida de todos, que nada realizou ao longo de sua obscura carreira política.
No polo oposto da disputa está José Serra, homem público, de todos conhecido por seu desempenho ao longo das décadas e por capacidade realizadora comprovada. Enquanto ele apresenta ao eleitor uma ampla lista de realizações indiscutivelmente importantes, no plano da educação, da saúde, da ampliação dos direitos do trabalhador e da cidadania, Dilma nada tem a mostrar, uma vez que sua candidatura é tão simplesmente uma invenção do presidente Lula, que a tirou da cartola, como ilusionista de circo que sabe muito bem enganar a plateia.
A possibilidade da eleição dela é bastante preocupante, porque seria a vitória da demagogia e da farsa sobre a competência e a dedicação à coisa pública. Foi Serra quem introduziu no Brasil o medicamento genérico; tornou amplo e efetivo o tratamento das pessoas contaminadas pelo vírus da Aids, o que lhe valeu o reconhecimento internacional. Suas realizações, como prefeito e governador, são provas de indiscutível competência. E Dilma, o que a habilita a exercer a Presidência da República? Nada, a não ser a palavra de Lula, que, por razões óbvias, não merece crédito.
O povo nem sempre acerta. Por duas vezes, o Brasil elegeu presidentes surgidos do nada -Jânio e Collor. O resultado foi desastroso. Acha que vale a pena correr de novo esse risco?