Os males da liberdade se corrigem com mais liberdade!

I should have loved freedom, I believe, at all times, but in the time in which we live I am ready to worship it.
- Democracy in America - Volume 2, Alexis de Tocqueville - Sever and Francis, 1864

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

BRASIL!

'Eu Sempre acreditei na Justiça', declara Paulo Maluf

  Folha
A reincidência com que Paulo Maluf é absolvido comprova: no Brasil, nada é mais suspeito do que um prontuário absolutamente limpo.

Um dia depois de o TJ-SP ter branqueado sua ficha, Paulo Maluf veio à boca do palco para dizer: “Eu sempre acreditei na Justiça”.

Maluf não acorreu aos refletores voluntariamente. Em visita ao gabinete de transição, avistou-se com Michel Temer, o vice eleito.

Escondeu-se na entrada. Mas viu-se compelido a sair pela porta da frente, dando de cara com os repórteres:

"Eu entrei por outra portaria e o rapaz me fez vir por aqui. Hoje eu não estou falando. E também nem estou ouvindo".

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

BRASIL!

WikiLeaks - a relevância do que foi divulgado.

Conversa de cabeleireiras:
ARTIGO PUBLICADO NA FOLHA DESTA TERÇA-FEIRA


João Pereira Coutinho

Sou um crédulo. A culpa é da literatura. Alimentado a Graham Greene e seu discípulo Le Carré durante a adolescência, afiei os caninos quando ouvi falar da WikiLeaks.

Que maravilha! Um site publicava as maiores conspirações mundiais das maiores potências mundiais! Salivei, como um cachorro amestrado. Não existe bom jornalismo sem bons vazamentos de informação. Não existem bons leitores sem carne proibida e suculenta para mastigar.

Desilusão. Indigestão. A WikiLeaks soltou mais de 250 mil telegramas do Departamento de Estado norte-americano, e a comida é rançosa. Eu esperava um complô de Washington para dominar o mundo. O império do mal é o império do mal.

Encontro conversa de cabeleireiras. Cristina Kirchner é mentalmente instável (bocejo). Chávez é louco (idem). Berlusconi gosta de orgias (abençoado homem). Gaddafi é “hipocondríaco” (bem-vindo ao clube) e gosta de viajar acompanhado por uma “voluptuosa” enfermeira ucraniana (partilha, irmão, partilha). Sarkozy é “irritadiço” e “autoritário” (é sério?). Putin e Medvedev são o “Batman” e o “Robin” da política internacional (mas que gay!).

Quero o meu dinheiro de volta. Se os segredos da diplomacia americana se resumem a isso, eu começo a temer pelo futuro do império do mal. Ou será do bem?
Aliás, não temo apenas pelo futuro da América. Temo pelo futuro do próprio jornalismo. Tempos houve em que os jornalistas tinham a nobre função de vigiar e criticar o poder. Uma tarefa necessária, solitária, tantas vezes perigosa, que implicava “pesquisa”, “filtragem”, “interpretação”. Uma fonte era uma fonte. O início do processo, não o seu fim preguiçoso.

Com a WikiLeaks, o jornalismo transformou-se no latão de lixo de um delinquente cibernético. Não existe “pesquisa”, “filtragem” ou “interpretação” alguma. Os jornalistas foram cúmplices da pirataria e da espionagem de um foragido. De Watergate para a WikiLeaks: o meu reino não é mais deste mundo.
Alguns dirão que exagero. Que existem informações “relevantes”, para usar o termo preferido dos apedeutas. Saber que a China não se opõe à unificação das Coreias é “relevante”. Saber que os Estados Unidos espiam nas Nações Unidas é “relevante”. Saber que os países árabes temem o Irã e pedem a Wa- shington, privadamente, para bombardear os aiatolás é “relevante”.

Será? Mas nada disso é novidade. Que os árabes e, em especial, os sauditas, temem um Irã nuclear tanto ou mais que Israel é o básico da política internacional do Oriente Médio. Que a China, desde Deng Xiaoping, vê com bons olhos uma “reunificação pacífica” das Coreias, eis um truísmo que se encontra em qualquer livro de relações internacionais para principiantes.

E que os Estados Unidos espiam nas Nações Unidas, enfim, nem merece comentário: não existe país com pretensões de hegemonia global, ou até regional, que não faça o mesmo, ou pior. E, quando o assunto é o manicômio das Nações Unidas, criminoso seria não espiar.

Infelizmente, é pouco provável que a WikiLeaks nos informe sobre os pecadilhos das outras potências. A WikiLeaks, três anos atrás, prometia revelar todos os abusos nos mais variados cantos do mundo. Aplaudi. Precocemente. Pelo visto, a coragem justiceira de Julian Assange parou nos Estados Unidos.

Conclusões? A melhor delas foi resumida por James Rubin, antigo membro da administração Bill Clinton, que escreveu na revista “The New Republic” sobre a ironia da WikiLeaks. Que ironia é essa?

Simples: a WikiLeaks acredita que a transparência total é o único caminho para um mundo mais seguro e pacífico. Fatalmente, a WikiLeaks ignora que um mundo mais seguro e pacífico passa, muitas vezes, pelos esforços secretos da diplomacia. E não há diplomacia sem confidencialidade, lembra Rubin.

Ao destruir a confidencialidade, a “pacifista” WikiLeaks está convidando o mundo para se calar em privado. E para resolver as suas discórdias e conflitos em público. Por meios, digamos, menos civilizados. E mais primitivos.

Faz parte da mentalidade radical ver a realidade em preto e branco, sem notar que a salvação, às vezes, se pinta com cores mais cinzentas.

No Paquistão. Já aqui...

Premiê do Paquistão destitui dois ministros acusados em caso de corrupção:
"O primeiro-ministro do Paquistão, Yousuf Raza Gillani, destituiu nesta terça-feira dois de seus ministros, supostamente envolvidos em um caso de corrupção na viagem e acomodação de fiéis muçulmanos durante a peregrinação à cidade sagrada de Meca.
Em comunicado, o escritório do primeiro-ministro informou que o ministro de Assuntos Religiosos, Hamid Saeed Kazmi, alvo de todas as críticas pelo escândalo, e o titular de Ciência e Tecnologia, Azam Swati, serão substituídos no cargo. Os que tomam posse são, respectivamente, Khurshid Shah e Asif Ahmed Ali.
A nota oficial não especifica os motivos da decisão, mas os dois ministros, de partidos diferentes, eram acusados de participar do chamado "escândalo de Hajj" (peregrinação), algo que incomodou o Executivo.
Leia mais (14/12/2010 - 11h31)"

Primeira tarefa: não conseguiu concluir!

Dilma será diplomada com Ministério incompleto

Presidente eleita convida Ciro Gomes e uma secretária de Déda para sua equipe, desagradando a diversos aliados
Maria Lima
A presidente eleita, Dilma Rousseff, vai ser diplomada nesta sexta-feira sem conseguir fechar seu Ministério.
Fonte:http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/12/14/dilma-sera-diplomada-com-ministerio-incompleto-349218.asp

Cá entre nós, tem suas costuras a composição de um ministério. Mas se há uma forte e respeitada liderança, e se princípios norteiam o governo, a tarefa fica fácil. Agora, no caso de balcão de negócios, onde não há princípios, apenas apoios, dá nisso. Não tenho notícia de um outro governo que não tenha conseguido montar seu time antes da diplomação. Mas... surpreende? Eu, não.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Editorial do Estadão, 13/12/2010

Há dois aforismos muito populares que se aplicam aos falastrões: “Quem diz o que quer ouve o que não quer” e “Quem fala muito dá bom dia a cavalo”, ou seja, acaba dizendo bobagem. Pois o presidente retirante ─ que na ânsia de não perder nenhum dos poucos minutos de poder formal que lhe restam anda falando mais do que nunca antes ─ nos últimos dias se tem esmerado em ilustrar aquelas pérolas da sabedoria popular. Dois episódios foram particularmente exemplares. O primeiro, na quarta-feira, na solenidade de posse do novo presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Benjamin Zymler. O segundo, no dia seguinte, durante o ato de apresentação do balanço de quatro anos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Lula foi ao TCU acompanhado da presidente eleita, Dilma Rousseff. Nenhum dos dois discursou nem falou com os jornalistas. Mas Lula passou pelo constrangimento de ter que ouvir, no discurso de posse do ministro Zymler, uma clara resposta a suas frequentes reclamações e críticas à ação fiscalizadora daquele tribunal: “O aperfeiçoamento das auditorias passou a ser a marca registrada do TCU junto à sociedade. Não há por que retroceder nesse campo. Pelo contrário, torna-se imprescindível a contínua melhoria dessa atividade.”

Aludindo ao que classificou de percepção generalizada de que o TCU tem sido “duro” em sua ação fiscalizadora ─ alusão da qual é impossível dissociar os queixumes do presidente da República ─, Zymler enfatizou: “E tem de ser duro. Isso significa algum tipo de problema pontual, mas a perspectiva de longo prazo é a de melhoria de gestão no próprio governo”. Assim, depois de tanto e por tanto tempo dizer o que queria sobre o TCU, Lula acabou tendo que ouvir o que não queria.

Na quinta-feira, durante mais um dos atos públicos programados em sua carregada agenda de despedidas da chefia do governo, dessa vez com o objetivo de fazer a apresentação de um balanço das realizações do PAC, Lula enveredou por mais uma de suas habituais digressões para debochar, por um lado, da diplomacia americana e, por outro, dos jornalistas e todos os que defendem a liberdade de imprensa. Diante de uma solícita e animada plateia composta por ministros, parlamentares e funcionários dos vários escalões do Executivo, Lula escancarou o deboche ao referir-se à WikiLeaks e à prisão de seu diretor, o australiano Julian Assange, “o rapaz que estava desembaraçando a diplomacia americana”.

Num dia em que não parecia, como se vê, particularmente inspirado em matéria de clareza de expressão, o presidente atacou, em tom irônico, estimulado pela cumplicidade dos ouvintes: “O rapaz (Julian Assange) foi preso e não estou vendo nenhum protesto contra (sic) a liberdade de expressão”. É claro que Lula queria dizer “protesto pela liberdade de expressão”, mas acabou repetindo o ato falho, pelo menos mais duas vezes. E ainda deu um jeito de encaixar um valioso conselho a Dilma Rousseff, referindo-se às trocas de mensagens entre diplomatas americanos divulgadas pelo WikiLeaks: “A Dilma tem que saber e falar para o ministro dela que, se (os diplomatas) não tiverem o que escrever, não escrevam bobagem, passem em branco a mensagem”.

Ironias e deboches à parte, o argumento usado por Lula para alfinetar a imprensa e o governo norte-americano é formalmente inconsistente. Apesar de todo o óbvio interesse dos Estados Unidos e demais países envolvidos em colocar um ponto final na divulgação de documentos diplomáticos, a prisão de Julian Assange em Londres não teve, pelo menos como causa imediata, nada a ver com liberdade de expressão. Ele se entregou espontaneamente à polícia inglesa depois que a Interpol expediu contra ele um pedido de prisão, motivado por acusações de estupro e abuso sexual feitas, na Suécia, por duas cidadãs daquele país.

Quanto à liberdade de expressão, não corre o menor risco nos Estados Unidos, como ficou claro no caso dos famosos “Papéis do Pentágono”, em 1971, muito mais lesivo aos interesses americanos e até a segurança dos EUA do que o atual, mas ainda assim garantido pela Suprema Corte americana. Risco ela corre até hoje no Brasil de Lula e do seu ministro Franklin Martins.

Segunda de bom humor!

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