Os males da liberdade se corrigem com mais liberdade!

I should have loved freedom, I believe, at all times, but in the time in which we live I am ready to worship it.
- Democracy in America - Volume 2, Alexis de Tocqueville - Sever and Francis, 1864

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Eles e a liberdade de imprensa V

O NOME DELE É FRANKLIN MARTINS!: "

Há dois momentos na relação do PT e do governo Lula com o que os petistas chamam “mídia”: pré e pós-Franklin Martins. Escreverei mais tarde a respeito, detalhando como se dava essa convivência nos anos 90.

Desde a chegada de Lula ao poder, uma certa tensão se estabeleceu. O partido passou a exigir que os jornalistas se comportassem — ou continuassem a se comportar (vocês verão por quê) — como “companheiros”, como militantes: “notícia” eram só aquilo que beneficiava o PT e prejudicava seus adversários. O contrário passou a ser visto como sabotagem. Jornalista que não rezasse segundo a cartilha era só um pau mandado do patrão.

O princípio, como se vê, já era um primor de autoritarismo, mas era operado de maneira mais ou menos rudimentar. Quem profissionalizou o processo de premiar os mansos, omissos e cooptados e hostilizar os que se dedicam a fazer um trabalho realmente isento foi Franklin Martins.

É ele quem dá o grito de guerra contra a mídia e resolve mobilizar a máquina contra os veículos considerados hostis. Demitido da Globo, levou para dentro do governo o seu rancor. Deu dimensão prática à confrontação que o PT fazia só no terreno da ideologia: comandando uma máquina verdadeiramente bilionária — considerando todo o dinheiro sobre o qual tem influência —, demonstrou que ser governista traz benefícios e que fazer jornalismo não compensa.

A manifestação do partido e de sindicatos contra o trabalho da imprensa tem origem nesse espírito. Alguns dos que puxam o coro contra o jornalismo independente ou estão na folha de pagamentos da Lula News ou recebem verba publicitária de estatais — ou as duas coisas.

Franklin prepara um pacote de “propostas” para pôr em prática o “controle social da mídia”. Mais de uma pessoa já o viu excitado — uma excitação à moda Franklin, bem pequenina, já que ele é muito cerebral — com o que se passa na Argentina. Nos porões do Palácio do Planalto, considera-se o método Cristina Kirchner mais hábil do que o método Hugo Chávez. Ela teria conseguido dar uma aparência de legalidade ao arreganho fascistóide contra a imprensa.

Franklin Martins é o espírito que anima o grito em favor da censura no Brasil. O nome dele é Franklin Martins.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Eles e a liberdade de imprensa IV

DEU EM O GLOBO

Traços em relevo

Miriam Leitão

Em 2003, o Bom Dia Brasil me enviou para Caracas. Era um momento decisivo da fratura da sociedade venezuelana. Conversei com muita gente, vi imagens fortes, acompanhei passeatas e entrevistei Chávez.

Diversas vezes ouvi, de um lado e de outro, que Lula era igual a Chávez. Sempre reagi, ofendida, falando das convicções democráticas de Lula para acentuar a diferença.

Continuo achando que Lula tem mais virtudes que Chávez, mas para quem viu aquele momento, as semelhanças com esse final de governo são assustadoras.

Uma das táticas do presidente venezuelano era atacar a imprensa. Dizia que ela abusava da liberdade que ele "concedia", tratava os jornalistas como inimigos, acusava os jornais de serem partidos políticos, gritava em comícios que havia uma unidade entre ele e a opinião pública, como se as pessoas fossem uma massa sem diversidade de pensamento.

Lula tem criticado a imprensa diariamente. Não é novidade. Mas no discurso de sábado, ele foi ainda mais fundo no modelo chavista, num ataque desconexo e impróprio aos órgãos de imprensa que, na opinião dele, são "uma vergonha" e "destilam ódio e mentira".

Prometeu "derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como se fossem um partido político" e firmou que esses órgãos "não são democratas e pensam que são democratas".

A democracia não pertence ao presidente. Pela sua natureza, ela é construção coletiva. Foi construída por uma luta coletiva e só por ela será preservada. O governante é apenas, por um tempo determinado, investido do poder de governar.

Isso não lhe dá poderes divinos, nem o direito de ofender com a acusação de não ser democrata qualquer pessoa que pensa de forma diferente, ou que diz ou escreve o que ele não considera conveniente.

Eles e a liberdade de imprensa III

"Do “Blog do Josias de Souza”:

“Iniciada por José ‘Abuso do Direito de Informar’ Dirceu e ecoada por Lula ‘Mídia Partidária’ da Silva, a rusga do PT com a imprensa ganhou ares de guerra. O partido de Dilma Rousseff levou à sua página na web a convocação de um ato de protesto contra o que chamou de “golpismo midiático”. Será nesta quinta (23), às 19 horas, num palco inusitado: o auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, filiado à CUT.

A convocatória informa que a pajelança foi organizada “em defesa da democracia” e contra “a baixaria nas eleições”. Anuncia-se a presença de:

1. Dirigentes de quatro centrais sindicais: além da CUT, Força Sindical, CTB e CGTB.

2. Representantes da União Nacional dos Estudantes.

3. Lideranças de quatro partidos políticos: PT, PCdoB, PSB e PDT.

4. Blogueiros progressistas.

O evento é apresentado como reação à “ofensiva dos setores da direita e da mídia conservadora”, marcada por ”uma onda de baixarias, de denúncias sem provas [...].”

O texto não menciona as logomarcas “golpistas” nem esmiúça as notícias infundadas. Não há de ser o “Erenicegate”.

Qualificado de “factóide” no nascedouro, o caso já levou ao olho da rua quatro autoridades, incluindo a chefe da Casa Civil, ex-braço direito de Dilma Rousseff.

Diz o documento que a “velha mídia” tornou-se “autêntico partido político conservador” e desenvolve uma “ofensiva antidemocrática”.

Acrescenta: “A onda de baixarias, que visa forçar a ida de José Serra ao segundo turno, tende a crescer nos últimos dias da campanha”.

Como assim? “Os boatos que circulam nas redações e nos bastidores das campanhas são preocupantes. E indicam que o jogo sujo vai ganhar ainda mais peso”.

Daí o “ato em defesa da democracia”. Beleza. Decerto os organizadores do movimento farão discursos veementes em fovor do democrático direito à liberdade de imprensa.

Dilma haverá de brandir da tribuna provas irrefutáveis contra as aleivosias inventadas pela “velha mídia” pró-Serra. Restará provado que a Casa Civil foi varrida por um tsunami de probidade.

A coisa promete!”

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

BRASIL 2014

Partido governista da Coreia do Norte se reúne e deve nomear sucessor de Kim Jong-il: "O governista Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte deve realizar uma conferência no dia 28 de setembro para eleger sua comissão de líderes supremos, informou a agência de notícias norte-coreana KCNA nesta segunda-feira. Acredita-se que, no evento, o ditador Kim Jong-il deve anunciar a escolha de seu filho mais novo, Kim Jong-un, para lhe suceder no poder.
A saúde cada vez mais frágil de Kim fez com que ele acelerasse os planos de sucessão, e levou também, na semana, ao adiamento dessa reunião partidária por tempo indefinido. Acredita-se que Kim tenha sofrido um derrame em 2008.
A agência não deu detalhes da agenda do encontro, mas a conferência deve escolher uma nova liderança e começar a preparar um herdeiro, já que a saúde do líder Kim Jong-il está cada vez pior.
Leia mais (20/09/2010 - 19h29)"

A turma dela


Você compraria um carro usado de algum deles?


Mas não são apenas esses; o Tiririca, Netinho de Paula etc, são da turma dela. Ah, e, lógico, aqueles que os elegem também estão neste nível. Afinal, o Congresso é o retrato do povo. E você, faz parte desta turma?

Lúcido!

"Estivesse a imprensa submetida aos desejos de líderes petistas e seus companheiros, sem dúvida - para citar apenas o episódio mais recente - autoridades do primeiro escalão continuariam a ter familiares negociando, no balcão mais próximo, contratos privilegiados com o governo.

Outros casos virão à tona, por certo - e sua revelação será tratada como ato persecutório pelos que se fazem de vítima enquanto se aboletam no poder.

Não são vítimas: são aproveitadores, escondendo-se atrás de farrapos de ideologia para promover os negócios de seus apaniguados e tentar desfigurar, na medida de suas próprias dimensões, um sistema democrático a duras penas consolidado no país" , do Editorial da Folha de S. Paulo, de 19/09/2010.

Aviso: ela é pior que Cristina

Cristina Kirchner quer prender donos de jornais

Foto: / AFP

Janaína Figueiredo, O Globo

O governo da presidente argentina Cristina Kirchner apresentará denúncia nos tribunais de La Plata (capital da província de Buenos Aires) contra os jornais "Clarín" e "La Nación", acusados pela Casa Rosada de cumplicidade no sequestro e em torturas sofridas por membros da família Graiver que, em novembro de 1976, venderam a empresa Papel Prensa aos diários.

Segundo o jornal "Perfil", a denúncia inclui o pedido de "imediata detenção" de Hernestina Herrera de Noble, dona do grupo Clarín; Héctor Magnetto, principal acionista do grupo; e Bartolomé Mitre, diretor do "La Nación".

O objetivo do ex-presidente Néstor Kirchner é que os donos dos jornais sejam condenados pela suposta compra irregular da Papel Prensa, empresa que atualmente abastece 75% do mercado de papel.

O governo Kirchner sustenta que os proprietários dos diários foram cúmplices da perseguição à família Graiver, uma versão que é respaldada por Lidia Papaleo de Graiver, viúva de David Graiver, herdeiro da Papel Prensa, que faleceu num misterioso acidente de avião em 1976.

Segundo o "Perfil", os donos do "Clarín" e do "La Nación" também serão denunciados por participação no sequestro e assassinato de Jorge Rubinstein, advogado de Graiver.

Neste caso, informou o jornal, o governo acusará os empresários de homicídio.

Leia mais em Governo argentino acusa proprietários de 'Clarín' e 'La Nación' de homicídio e quer donos presos