Exército da Colômbia mata Mono Jojoy, número dois das Farc, e mais 20 guerrilheiros
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| Em imagem de 1998, o número dois das Farc, Mono Jojoy (dir.), que foi morto nesta quinta-feira pela Colômbia |
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| Em imagem de 1998, o número dois das Farc, Mono Jojoy (dir.), que foi morto nesta quinta-feira pela Colômbia |
22/09/2010
Eduardo Anizelli/Folha
Realizou-se nesta quarta (22), em São Paulo, um ato público que teve na figura de Lula seu principal alvo.
A coisa aconteceu no parlatório defronte da Faculdade de Direito Largo São Francisco. Reuniu juristas, intelectuais e políticos de oposição.
O ponto alto da reunião foi a leitura de um documento intitulado “Manifesto em Defesa da Democracia”. Levada à web, a peça foi aberta a adesões.
Coube ao advogado Hélio Bicudo ler o texto. Ex-vice-prefeito de São Paulo na gestão de Marta Suplicy, Bicudo é ex-petista.
Ajudou a fundar o partido de Lula. Deixou a legenda em 2005, desgostoso com o escândalo do mensalão.
Antes mesmo de ler o manifesto, Bicudo cuidou de explicar sua presença no ato.
Disse que Lula "tenta desmoralizar a imprensa e todos aqueles que se opõem ao seu poder pessoal".
Acrescentou: “Estamos à beira do perigo de um governo autoritário, que vai passar por cima, como já está passando, da Constituição e das leis".
Depois, despejou o manifesto sobre o microfone. A certa altura, soou assim:
"É intolerável assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político, máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais..."
"...É inaceitável que a militância partidária tenha convertido os órgãos da administração direta, empresas estatais e fundos de pensão em centros de produção de dossiês contra adversários políticos".
Além de Bicudo, foram ao Largo São Francisco três ex-ministros da Justiça da gestão FHC: José Gregori, Miguel Reale Júnior e José Carlos Dias.
Lá estevam também Paulo Brossard, ex-senador e ex-ministro do STF Paulo Brossard; e Dom Paulo Evaristo Arns, ex-arcebispo de São Paulo. Entre os políticos, Roberto Freire, presidente do PPS.
Organizado às pressas, o ato foi uma resposta prévia a outra manifestação, marcada para esta quinta (23).
Dirigentes de centrais sindicais, de movimentos populares e de legendas governistas farão um protesto contra o que chamam de “golpismo midiático”.
Acusam a imprensa de tomar o partido de José Serra, contra Dilma Rousseff.
O Desmanche da democraciaA escalada de ataques furiosos do presidente Lula contra a imprensa - três em cinco dias - é mais do que uma tentativa de desqualificar a sequência de revelações das maracutaias da família e respectivas corriolas da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra. É claro que o que move o inventor da sua candidata à sucessão, Dilma Rousseff, é o medo de que a sequência de denúncias - todas elas com foros de verdade, tanto que já provocaram quatro demissões na Pasta, entre elas a da própria Erenice - impeça, na 25.ª hora, a eleição de Dilma no primeiro turno. Isso contará como uma derrota para o seu mentor e poderá redefinir os termos da disputa entre a petista e o tucano José Serra.
Mas as investidas de Lula não são um raio em céu azul. Desde o escândalo do mensalão, em 2005, ele invariavelmente acusa a imprensa de difundir calúnias e infâmias contra ele e a patota toda vez que estampa evidências contundentes de corrupção e baixarias eleitorais no seu governo. A diferença é que, agora, o destampatório representa mais uma etapa da marcha para a desfiguração da instituição sob a sua guarda, com a consequente erosão das bases da ordem democrática. A apropriação deslavada dos recursos de poder do Executivo federal para fins eleitorais, a imersão total de Lula na campanha de sua afilhada e a demonização feroz dos críticos e adversários chegaram a níveis alarmantes.
A candidatura oposicionista relutou em arrostar o presidente em pessoa por seus desmandos, na crença de que isso representaria um suicídio eleitoral - como se, ao poupá-lo, o confronto com Dilma se tornaria menos íngreme. Isso, adensando a atmosfera de impunidade política ao seu redor, apenas animou Lula a fazer mais do mesmo, dando o exemplo para os seguidores. As invectivas contra a imprensa, por exemplo, foram a senha para o PT e os seus confederados, como a CUT, a UNE e o MST, promoverem hoje em São Paulo um “ato contra o golpismo midiático”. É como classificam, cinicamente, a divulgação dos casos de negociatas, cobrança e recebimento de propinas no núcleo central do governo.
Sobre isso, nenhuma palavra - a não ser o termo “inventar”, usado por Lula no seu mais recente bote contra a liberdade de imprensa que, com o habitual cinismo, ele diz considerar “sagrada”. O lulismo promove a execração da mídia porque ela se recusa a tornar-se afônica e, nessa medida, talvez faça diferença nas urnas de 3 de outubro, dada a gravidade dos escândalos expostos. Sintoma da hegemonia do peleguismo nas relações entre o poder e as entidades de representação classista, o lugar escolhido para o esperado pogrom verbal da imprensa foi o Sindicato dos Jornalistas. O seu presidente, José Camargo, se faz de inocente ao dizer que apenas cedeu espaço “para um debate sobre a cobertura dos grandes veículos”.
Mas a tal ponto avançou o rolo compressor do liberticídio que diversos setores da sociedade resolveram se unir para dizer “alto lá”. Intelectuais, juristas, profissionais liberais, artistas, empresários e líderes comunitários - todos eles figuras de projeção - lançaram ontem em São Paulo um “manifesto em defesa da democracia”, que poderá ser o embrião de um movimento da cidadania contra o desmanche da democracia brasileira comandado por um presidente da República que acha que é tudo - até a opinião pública - e que tudo pode.
Um movimento dessa natureza não será correia de transmissão de um partido nem estará atado ao ciclo eleitoral. Trata-se de reconstruir os limites do poder presidencial, escandalosamente transgredidos nos últimos anos, e os controles sobre as ações dos agentes públicos. “É intolerável”, afirma o manifesto, “assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político, máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais.” “É inconcebível que uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita, que, na certeza da impunidade, já não se preocupa mais nem mesmo em fingir honestidade.” O texto evoca valores políticos que, do alto de sua popularidade, Lula lança ao lixo, como se, dispensado de responder por seus atos, governasse num vácuo ético.